El Niño e terremoto: desafios para a safra de café da Colômbia
A produção de café na Colômbia, um dos maiores produtores mundiais, está ameaçada pelo fenômeno climático El Niño. O presidente da Federação Nacional dos Cafeicultores, German Bahamon, alertou sobre isso. Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o país em 10 de agosto, causando danos significativos e resultando em 319 mortes. No entanto, a safra de café não foi diretamente afetada por esse evento. Bahamon destacou que a verdadeira preocupação são as condições climáticas severas que o El Niño pode trazer. Ele prevê uma queda de 8% na produção deste ano, que deve totalizar 12,5 milhões de sacas de 60 quilos, em comparação com 13,7 milhões em 2025.
Contexto de mercado
O El Niño é um fenômeno climático que provoca o aquecimento das águas do Pacífico. Isso altera padrões de chuva e temperatura globalmente. Este ano, analistas indicam que o evento está se intensificando e pode se tornar um dos mais fortes até o início de 2027. Para a Colômbia, isso representa riscos para a produção de café e para as condições de vida de milhares de famílias que dependem desse cultivo. Além disso, a valorização do peso colombiano, no seu nível mais alto desde outubro de 2018, pressiona ainda mais as margens de lucro dos cafeicultores.
Análise
O terremoto causou danos significativos à infraestrutura agrícola, afetando regiões que representam cerca de um terço da produção cafeeira do país. Levantamentos iniciais mostram que 10.500 famílias de cafeicultores na zona do desastre foram impactadas. Dessas, 8.000 relataram destruição parcial ou total de suas casas e instalações de processamento. Apesar disso, Bahamon afirmou que as exportações de café do principal porto, Buenaventura, já voltaram ao normal, o que traz alívio ao setor. No entanto, a combinação de um fenômeno climático adverso e a valorização do peso pode ser um golpe duro para os produtores, que já enfrentam dificuldades financeiras.
Impacto para o produtor
A previsão de queda na produção de café e a pressão econômica causada pela valorização do peso colocam pequenos e médios produtores em uma situação delicada. Estima-se que os cafeicultores estejam perdendo cerca de 700 mil pesos (aproximadamente US$ 229) por carga de 125 kg devido à valorização em relação ao dólar. Essa realidade pode levar a uma redução significativa nos lucros e, consequentemente, na capacidade de investimento e desenvolvimento das propriedades. A Federação Nacional dos Cafeicultores planeja implementar um programa de reconstrução e compra de cerejas de café colhidas. Isso pode ajudar a mitigar os danos, mas a situação ainda é preocupante.
Perspectivas
Com a previsão de intensificação do El Niño, os produtores de café da Colômbia devem se preparar para meses desafiadores. A colaboração entre a federação e o governo será vital para a recuperação das áreas afetadas. É necessário garantir que os cafeicultores tenham o suporte necessário para enfrentar as adversidades climáticas e econômicas. O futuro da safra de café dependerá não apenas das condições climáticas, mas também da capacidade do setor em se adaptar e inovar diante dos desafios. A resiliência dos cafeicultores será testada, e a solidariedade entre eles pode ser a chave para superar este período difícil.