Milho fecha julho com alta, mas recua nas bolsas nesta sexta
Os preços futuros do milho encerraram a sexta-feira (31) com desvalorizações nas bolsas de Chicago e B3. No entanto, fecharam julho com valorização acumulada significativa. Na Bolsa de Chicago (CBOT), as perdas semanais chegaram a 5%. O acumulado mensal variou entre 4,4% e 5% nos principais vencimentos. Para o vencimento setembro/26, o preço foi cotado a US$ 4,40, com uma queda de 5 pontos, refletindo a volatilidade do mês.
Mercado em movimento
A alta volatilidade nos preços do milho foi impulsionada por diversos fatores, incluindo conflitos geopolíticos no Oriente Médio e na Europa. Segundo Enilson Nogueira, consultor da Céleres Consultoria, essas incertezas geram flutuações nas cotações de commodities agrícolas. “Soja, milho e trigo tiveram comportamentos voláteis nas cotações internacionais nas últimas semanas”, ressalta Nogueira.
Além dos conflitos, o mercado também observa o desenvolvimento da safra norte-americana, que apresenta incertezas devido às oscilações climáticas. Embora a área plantada tenha sido reduzida, o potencial produtivo ainda é incerto. Para agosto, a expectativa é que a volatilidade persista até que o mercado tenha uma visão mais clara sobre a safra dos Estados Unidos.
Análise do mercado
Na CBOT, os contratos de milho apresentaram desvalorizações de 5,06% para setembro/26, 4,82% para dezembro/26 e 4,62% para março/27 no acumulado semanal. Apesar dessas perdas, julho foi positivo, com valorizações de até 6,3% para o vencimento dezembro/26. No Brasil, a B3 também registrou perdas na sexta-feira, mas um acumulado mensal de altas significativas.
O mercado brasileiro já havia precificado uma grande safra de milho, mas a produção foi afetada por perdas em algumas regiões, como Minas Gerais e Goiás. Contudo, a oferta ainda é suficiente para atender à demanda interna e garantir um bom volume para exportação. A recuperação das cotações na B3 é impulsionada pela demanda aquecida, tanto no mercado interno quanto nas exportações.
O que isso significa para o produtor
Para o produtor rural, a volatilidade nos preços pode representar riscos e oportunidades. A expectativa de uma demanda crescente, especialmente das indústrias de ração e etanol de milho, pode ajudar a sustentar os preços no segundo semestre. A redução dos estoques finais do ciclo 2025/26 é um fator positivo que deve beneficiar os produtores.
As cotações na B3 mostraram recuperação após quedas acentuadas nos meses anteriores, com o vencimento setembro/26 cotado a R$ 69,20. Essa tendência é animadora para pequenos e médios produtores, que podem se beneficiar de preços mais estáveis e uma demanda robusta.
Perspectivas futuras
As perspectivas para agosto indicam continuidade da volatilidade, mas com foco na demanda. O mercado parece ter encontrado um piso para os preços, e a expectativa é que a demanda por milho continue a crescer, especialmente em função do ciclo de etanol e ração. Os produtores devem monitorar as condições do mercado e ajustar suas estratégias conforme as flutuações nos preços.
Em resumo, apesar das quedas pontuais, julho trouxe uma valorização significativa para o milho. As expectativas para o futuro são promissoras, desde que os produtores permaneçam atentos às dinâmicas do mercado.