Preparo antecipado do solo é fundamental na safra de arroz 2026/27
O início da safra de arroz irrigado de 2026/27 no Sul do Brasil traz desafios importantes para os produtores. O preço do saco de arroz se recuperou, saltando de R$ 48-50 para cerca de R$ 70. No entanto, o SindArroz-SC aponta que esse valor ainda está abaixo do custo de produção, estimado em R$ 75 por saca. Além disso, o fenômeno climático El Niño está se configurando, trazendo previsões de chuvas acima da média, o que pode afetar a produtividade da lavoura.
Análise de mercado
O mercado de arroz enfrenta um panorama desafiador. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reportou uma redução de 13,9% na área plantada de arroz na safra 2025/26, com uma queda de 13,2% na produção. Para o arroz irrigado, a produtividade média nacional caiu 2,2%, atingindo 8.284 kg/ha. Essa retração é atribuída a condições de mercado e custos de produção, não a fatores climáticos. Com a pressão sobre as margens, a eficiência na produção se torna mais importante do que nunca.
Importância do manejo
Douglas Vaz-Tostes, especialista em nutrição de lavouras, destaca a relevância do manejo nutricional em conjunto com o clima. A escolha correta dos fertilizantes e sua aplicação na dose e momento certos são essenciais para a eficiência do sistema produtivo. Em anos de El Niño, o manejo da água e a saúde das lavouras ganham destaque, especialmente em relação ao excesso de chuvas que podem atrasar a semeadura e afetar a qualidade dos grãos.
As Recomendações Técnicas da Pesquisa para o Sul do Brasil, publicadas pela Sociedade Sul-Brasileira de Arroz Irrigado (Sosbai), ressaltam a importância do preparo antecipado do solo e do uso de sistemas de cultivo que minimizem os impactos da chuva. O cultivo mínimo, o pré-germinado e o sistema mix são preferidos em relação ao convencional. Esses métodos ajudam a garantir uma semeadura mais eficiente, mesmo em condições climáticas adversas.
Manejo do solo
Para os produtores, o manejo adequado do solo e a nutrição das plantas são essenciais para proteger o potencial produtivo. A fermentação da matéria orgânica em solos alagados pode gerar compostos tóxicos, prejudicando a germinação e o crescimento das plantas. Por isso, a Sosbai recomenda que os resíduos vegetais sejam manejados com antecedência mínima de 30 dias antes da semeadura, especialmente quando o volume ultrapassa 4 toneladas por hectare.
Além disso, a nutrição das lavouras deve ser vista como uma ferramenta para aumentar a resiliência das plantas frente às variações climáticas. Em regiões com previsão de excesso de chuvas, as perdas de nutrientes por lixiviação são uma preocupação. Já em áreas que enfrentarão estiagem, a absorção de nutrientes pode ser limitada.
Conclusão
Com o clima instável, o preparo do solo e a nutrição das plantas se tornam determinantes para o sucesso da safra de arroz 2026/27. A adoção de tecnologias que favoreçam o desenvolvimento radicular e a eficiência fotossintética pode ajudar os produtores a enfrentar os desafios climáticos. O calendário de campo deve refletir essa necessidade, com operações de pós-colheita focadas na incorporação da palhada e na semeadura de culturas de cobertura.
Os produtores que se adaptarem a essas novas realidades e utilizarem estratégias adequadas de manejo estarão mais bem preparados para garantir a produtividade e a qualidade de suas lavouras, mesmo em um cenário de incertezas climáticas.